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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pressão arterial (PA) [Bateria de Exames]

Esse material encontrei na NET:

Pressão arterial
(* Preparado por C.A. Bertulani para o projeto de Ensino de Física a Distância)

A pressão arterial mantém o sangue circulando no organismo. Tem início com o batimento do coração. A cada vez que bate, o coração joga o sangue pelos vasos sangüíneos chamados artérias. As paredes dessas artérias são como bandas elásticas que se esticam e relaxam a fim de manter o sangue circulando por todas as partes do organismo. O resultado do batimento do coração é a propulsão de uma certa quantidade de sangue (volume) através da artéria aorta. Quando este volume de sangue passa através das artérias, elas se contraem como que se estivessem espremendo o sangue para que ele vá para a frente. Esta pressão é necessária para que o sangue consiga chegar aos locais mais distantes, como a ponta dos pés, por exemplo.

Para conhecimento geral, colocamos em destaque alguns dos componentes do sistema cardio-circulatório:

O coração - é um órgão muscular que fica dentro do peito e que é responsável por bombear o sangue para os pulmões (para ser oxigenado) e para o corpo (suprindo as necessidades de oxigênio e nutrientes) depois que o sangue foi oxigenado nos pulmões. O coração bate em média de 60 a 100 vezes por minuto em situação de repouso. É composto por duas câmaras superiores chamadas de átrios, e duas inferiores, os ventrículos. O lado direito bombeia o sangue para os pulmões e o esquerdo para o restante do corpo.

AB
A - Visão da região anterior do coração, com parte do pericárdio removido. Observa-se a musculatura ventricular, os átrios direito e esquerdo, a veia cava superior, a crossa da aorta e a artéria pulmonar. B - Corte longitudinal do coração mostrando os ventrículos direito e esquerdo (este com a musculatura mais espessa), os átrios direito e esquerdo, as válvulas tricúspide, mitral, aórtica e pulmonar. Observa-se a representação do fluxo sanguíneo (setas) desde a cava superior, átrio e ventrículo direitos e artéria pulmonar, até as veias pulmonares, átrio e ventrículo esquerdos e aorta.





As artérias - são os vasos por onde o sangue corre vindo do coração. Elas estão distribuídas como se fossem uma grande rede de abastecimento por todo o corpo, podendo ser palpadas em alguns locais, onde estão mais superficializadas. Alguns destes locais são: na face interna de seu punho, na região da virilha e no pescoço. Este movimento ou pulsação, que você sente quando coloca seu dedo, é quando o sangue está sendo empurrado por um batimento do coração e que ocasiona uma determinada pressão dentro do vaso. Em geral as artérias são bem mais profundas, por isso somente em alguns locais é que elas podem ser palpadas. É nas artérias que ocorre o processo da doença da hipertensão.

As veias - são os vasos sanguíneos que trazem o sangue, agora cheio de impurezas, de volta ao coração. Assim como as artérias, elas formam uma enorme rede. A grande característica que diferencia uma veia de uma artéria, é que elas estão mais superficiais e podem ser mais facilmente palpadas e visibilizadas. Além desta diferença, pode-se citar a composição de sua parede, que é mais fina.

O QUE SIGNIFICAM OS NÚMEROS DE UMA MEDIDA DE PRESSÃO ARTERIAL?

Significam uma medida de pressão calibrada em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro número, ou o de maior valor, é chamado de sistólico, e corresponde à pressão da artéria no momento em que o sangue foi bombeado pelo coração. O segundo número, ou o de menor valor é chamado de diastólico, e corresponde à pressão na mesma artéria, no momento em que o coração está relaxado após uma contração. Não existe uma combinação precisa de medidas para se dizer qual é a pressão normal, mas em termos gerais, diz-se que o valor de 120/80 mmHg é o valor considerado ideal. Contudo, medidas até 140 mmHg para a pressão sistólica, e 90 mmHg para a diastólica, podem ser aceitas como normais. O local mais comum de verificação da pressão arterial é no braço, usando como ponto de ausculta a artéria braquial. O equipamento usado é o esfigmomanômetro ou tensiômetro, vulgarmente chamado de manguito, e para auscultar os batimentos, usa-se o estetoscópio.
TABELA DE VALORES MÉDIOS NORMAIS DE PRESSÃO ARTERIAL


IDADE EM ANOS PRESSÃO ARTERIAL EM MMHG
4 85/60
6 95/62
10 100/65
12 108/67
16 118/75
Adulto 120/80
Idoso 140-160/90-100



Projeto: Ensino de Física a distância
Desenvolvido por: Carlos Bertulani

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Atualização:

VEJA UMA APRESENTAÇÃO ESPECIAL SOBRE PRESSÃO ARTERIAL (em PowerPoint) ==> CLIQUE AQUI
FORMALMENTE AUTORIZADA PELA RH VIDA (378 KB)

Fonte: Portal Brasil - Medicina e Saúde


Resumo:

Definição:

A hipertensão arterial é o aumento desproporcionado dos níveis da pressão em relação, principalmente, à idade. A pressão arterial normal num adulto alcança um valor máximo de 140 mmHg (milímetros de mercúrio) e mínimo de 90 mmHg. Valores maiores indicam hipertensão (pressão alta).

A incidência de pressão alta é observada em relação a:

Idade e Sexo: A pressão alta é mais comum nos homens do que nas mulheres, e em pessoas de idade mais avançada do que nos jovens.

Genética: Pessoas com antecedentes familiares de hipertensão têm maior predisposição a sofrer da mesma.

Estresse.

Excesso de peso (obesidade).

Causas

As causas que provocam a pressão alta são muitas e variadas. Na maioria dos casos, a causa é desconhecida ou não está bem definida. Entre as causas conhecidas estão as doenças dos rins, das glândulas (endócrinas), do sistema nervoso, o abuso de certos medicamentos e a gravidez.

Sintomas

Na primeira fase a hipertensão arterial não apresenta sintomas, mas, à medida que os anos vão passando, eles começam a aparecer. Os mais comuns são: dor de cabeça, falta de ar, enjôos, visão turva que pode estar acompanhada de zumbidos, debilidade, sangramento pelo nariz, palpitações e até desmaios.

A importância da pressão alta não está nos sintomas, mas nas graves complicações que podem provocar um enfarte agudo de miocárdio, ou um derrame cerebral e até a morte de forma instantânea.

Tratamento e prevenção

A melhor forma de prevenir a doença é mediante um controle periódico (tirar a pressão), não abusar das comidas com sal, caminhar e evitar o fumo e o café, que aumentam a pressão arterial. Em resumo, tentar modificar o estilo de vida.

Os tratamentos são destinados a manter a pressão arterial dentro dos limites normais, por um lado insistindo nas formas acima descritas de prevenção, e por outro, mediante medicamentos que, por diferentes ações, mantêm a pressão dentro dos limites normais. Os fármacos mais receitados são os diuréticos, os betabloqueadores e os vasodilatadores.

Como ocorre a pressão arterial máxima e mínima?

A intensidade da pressão arterial é estabelecida no chamado centro circulatório situado numa parte do cérebro e adapta-se a cada situação através de mensagens enviadas aos centros nervosos. A pressão arterial ajusta-se através de alterações na intensidade e freqüência do ritmo cardíaco (pulsações) e no diâmetro dos vasos circulatórios.

Este último efeito ocorre através de músculos finíssimos situados nas paredes dos vasos sanguíneos.

A pressão arterial altera-se ciclicamente no curso da atividade cardíaca.

Atinge o seu valor máximo (pressão sangüínea sistólica), durante a “expulsão” do sangue (sístole) e o seu mínimo (pressão arterial diastólica), quando o coração termina o “período de repouso” (diástole).

Para evitar certas doenças, estes valores devem manter-se entre limites normais específicos.

Quais são os valores considerados normais?

A pressão arterial é considerada elevada se em repouso a pressão diastólica for superior a 90 mm/Hg e/ou a pressão arterial sistólica for superior a 140 mm/Hg.

Se este for o caso você deve procurar imediatamente um médico.

O prolongamento destes níveis de pressão arterial podem fazer perigar a sua saúde, pois causam o progressivo deterioramento dos vasos sangüíneos do organismo.

Deve também consultar o seu médico se os valores da pressão arterial sistólica estiverem entre 140 mm/Hg e 160 mm/Hg, e/ou os valores da pressão diastólica estiverem entre 90mm/Hg e 95 mm/Hg. Deverá também proceder regularmente a medições de auto-controle.

Se os valores forem demasiados baixos, isto é, se a pressão sistólica for inferior a 105 mm/Hg e/ou a diastólica inferior a 60 mm/Hg, deverá também fazer uma visita ao médico cardiologista.

Nível

Pressão arterial sistólica

Pressão arterial diastólica

Ação a tomar

Hipotensão

inferior a 100

inferior a 60

check-up médico

Valores normais

entre 100 e 140

entre 60 e 90

auto-medição

Hipertensão limite

entre 140 e 160

entre 90 e 100

check-up médico

Hipertensão moderada

entre 160 e 180

entre 100 e 110

consultar o médico

Hipertensão grave

superior a 180

superior a 110

consultar o médico com urgência

Hipertensão sistólica específica

superior a 140

inferior a 90

consultar o médico

Informações adicionais:

  • Se a maioria dos valores é normal em repouso, mas excepcionalmente elevada em condições de esforço físico ou psicológico, é possível que estejamos em presença de uma situação de hipertensão lábil ou instável. Se você suspeitar que esse pode ser o seu caso, consulte o seu médico;

  • Valores de pressão arterial diastólica superiores a 120 mm/Hg, provenientes de uma medição correta, requerem tratamento médico imediato.

O que fazer quando os registros obtidos são freqüentemente muito elevados ou muito baixos?

1) Contate seu médico;

2) A presença de valores da pressão arterial elevados, (diversas formas de hipertensão), conduz a médio e longo prazo, a elevados riscos para a saúde. Estes riscos dizem em particular respeito às artérias, mediante o seu endurecimento causado por depósitos nas paredes vasculares (arteriosclerose). Como resultado, o fornecimento do sangue a órgãos vitais é insuficiente (coração, cérebro, músculos). Por outro lado, o coração, quando os valores da pressão permanecem superiores aos níveis normais por um longo período de tempo, pode sofrer danos estruturais;

3) As causas da hipertensão são múltiplas: deve diferenciar-se hipertensão primária comum (essencial) da hipertensão secundária. Este último grupo pode ser circunscrito a disfunções orgânicas específicas. Você deve sempre consultar o seu médico para obter informações sobre as possíveis origens dos seus valores elevados;

4) Há certas medidas que podem ser tomadas, não só para reduzir a pressão arterial comprovada pelo médico, mas que podem também ser adotadas para a sua prevenção. Estas medidas dizem respeito ao seu modo de vida.


A) Hábitos alimentares:

· Tente manter um peso equilibrado para a sua idade. Livre-se do excesso de peso;

· Evite o consumo excessivo de sal;

· Evite os alimentos gordos.


B) Doenças anteriores:

Siga cuidadosamente as instruções do médico para o tratamento de doenças tais como:

· Diabetes (diabetes mellitus);

· Disfunções do metabolismo;

· Gota.


C) Consumo de substâncias nocivas:

· Deixe de fumar;

· Modere o consumo de bebidas alcoólicas;

· Reduza o consumo de cafeína (café).


D) Forma física:

· Pratique esportes regularmente - após ter feito um check-up médico;

· Escolha esportes que requeiram resistência física e não força;

· Não se esforce até atingir o seu limite da forma física;

· Se sofre de alguma doença e/ou tem mais de 40 anos, antes de iniciar qualquer atividade desportiva, você deve consultar o médico, que lhe recomendará o tipo de esporte adequado ao seu caso, e a intensidade com que o deve praticar.

FONTES: Pro Check, Microlife Corp. (Onbo Eletronic), Hafnerwisenstrasse 4 – Alemanha e Base de dados do Portal Brasil.


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quarta-feira, 26 de março de 2008

Aterosclerose [Artigo científico]

Doenças e Prevenção

Aterosclerose

Dr. Marcelo Chiara Bertolami

A aterosclerose é uma doença crônica-degenerativa que leva à obstrução das artérias (vasos que levam o sangue para os tecidos) pelo acúmulo de lípides (principalmente colesterol) em suas paredes. A aterosclerose pode causar danos a órgãos importantes ou até mesmo levar à morte. Tem início nos primeiros anos de vida, mas sua manifestação clínica geralmente ocorre no adulto.

separador

Quais são as causas da aterosclerose?

Quais são os sintomas da aterosclerose?

Quais são os fatores de risco para a aterosclerose?

Como a aterosclerose pode comprometer o organismo?

Como evitar a aterosclerose?

Quais são as causas da aterosclerose?

A aterosclerose é causada pelo acúmulo de lípides (gorduras) nas artérias, que podem ser fabricados pelo próprio organismo ou adquiridos através dos alimentos. Ela começa quando monócitos (um tipo de leucócito mononuclear) migram da corrente sangüínea e depositam-se nas paredes arteriais e passam a acumular gorduras, principalmente colesterol, formando as placas ateroscleróticas ou ateromas.

As artérias afetadas pela aterosclerose perdem elasticidade e, à medida que essas placas de gordura crescem, as artérias estreitam-se.

Eventualmente essas placas podem se romper, havendo o contato das substâncias do interior da placa com o sangue, o que produz a imediata coagulação do sangue e, como conseqüência, a obstrução total e súbita do vaso, o que leva ao infarto do miocárdio.


Quais são os sintomas da aterosclerose?

Usualmente, a aterosclerose não produz qualquer tipo de sintoma até que um estreitamento acentuado ou obstrução de uma ou mais artérias ocorra. À medida que a aterosclerose estreita a artéria, o órgão afetado pode deixar de receber sangue suficiente para oxigenar os seus tecidos.

O sintoma depende do órgão afetado pela obstrução da artéria. Assim, se as artérias acometidas são as que levam sangue para o cérebro, a pessoa poderá sofrer um acidente vascular cerebral (derrame); ou se são aquelas que levam sangue para as pernas, ela sentirá dor ao caminhar (claudicação intermitente), podendo chegar até à gangrena; no caso de obstrução nas artérias coronárias (vasos que levam sangue ao coração), o sintoma será dor no peito, o que caracteriza a "angina" ou o "infarto" do coração.

Esses sintomas desenvolvem-se gradualmente, à medida que a artéria é obstruída.


Quais são os fatores de risco para a aterosclerose?

Estudos identificaram que certos indivíduos têm maior propensão ao desenvolvimento dessa doença. São aqueles que apresentam os chamados fatores de risco para aterosclerose, como o tabagismo, a alteração dos lípides ou gorduras sangüíneas (colesterol e/ou triglicérides), o aumento da pressão arterial, o diabete, a obesidade, a vida sedentária e estresse emocional.

Idosos, indivíduos do sexo masculino, mulheres após a menopausa e pessoas com antecedentes familiares de aterosclerose também têm maior tendência a desenvolver a doença.


Como a aterosclerose pode comprometer o organismo?

A aterosclerose pode afetar as artérias de órgãos vitais como o cérebro, coração e rins.

Se a aterosclerose não for evitada, ela pode comprometer o funcionamento desses órgãos e até mesmo levar à morte. A aterosclerose pode causar derrame cerebral, infarto do coração, claudicação intermitente etc.

Nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, como o Brasil, a aterosclerose é a principal causa de doenças e óbitos na população de mais de 50 anos.


Como evitar a aterosclerose?

A aterosclerose pode ser evitada combatendo-se os fatores de risco - nível de colesterol alto no sangue, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade e sedentarismo, ou seja, dependendo do fator de risco do indivíduo, a prevenção consiste em diminuir o nível de colesterol no sangue, diminuir a pressão sangüínea, deixar de fumar, perder peso ou começar um programa de exercícios.

Evitar alimentos que produzem aumento de colesterol no sangue (os alimentos de origem animal - carnes e derivados, frutos do mar, leites e derivados, etc.) e ingerir alimentos sem colesterol (frutas, legumes, verduras, tubérculos e cereais) são hábitos que contribuem para controlar o nível de colesterol no sangue.

A prática de exercícios pode levar à redução de peso, que por sua vez ajuda a diminuir o nível de colesterol no sangue.

Parar de fumar ajuda a diminuir o nível de colesterol no sangue e a diminuir a pressão sangüínea. O fumo diminui o nível de "colesterol bom" no sangue - HDL colesterol - e aumenta o nível de "colesterol ruim" no sangue - LDL colesterol, contrai a parede arterial, diminuindo ainda mais o fluxo sangüíneo na artéria já obstruída pelo colesterol.

Temas Relacionados:

Colesterol Alto por Dr. Marcelo Chiara Bertolami

Hipertensão Arterial por Prof. Dr. Celso Ferreira

Sedentarismo por Dr. Turíbio Leite Barros Neto

Obesidade por Dr. Alfredo Halpern



Fonte: Site do EMEDIX

http://www.emedix.com.br/doe/car005_1f_aterosclerose.php

Aterosclerose: O assassino misterioso


Vejam o vídeo sobre o processo de lesão da aterosclerose:


O pior inimigo do homem moderno é silencioso, cruel e traiçoeiro. Age nas sombras, imperceptível e lento, e quando finalmente mostra as garras, pouco resta fazer o destino da vítima já foi traçado. Filho indesejado do progresso, ele atinge as pessoas quando chegam ao período mais produtivo da vida. Por essa razão, é conhecido como a “doença da civilização”, mas seu verdadeiro nome é um pouco mais complicado – arteriosclerose.

“A arteriosclerose é a doença que mais mata no Primeiro Mundo”, adverte Marisa Campos Moraes Amato, Livre Docente de Cardiologia do Incor e responsável pela Clínica Check-up MED – Diagnósticos Médicos. Especialista no assunto, ela informa a enfermidade caracteriza-se pela degeneração das artérias, cujas paredes tornam-se mais espessas e endurecidas, perdendo a elasticidade. As conseqüências são fatais, decorrentes da má circulação do sangue.

Preocupada com o problema, Marisa Amato realizou em dezembro de 1997, uma ampla pesquisa, analisando mais de 11 mil questionários distribuídos a comerciantes e pessoas de alguma forma ligadas ao setor de comércio e serviços.O objetivo era descobrir a porcentagem de risco que cada pessoa estava correndo de sofrer um problema cardiovascular. As perguntas 40 ao todo, referiam-se aos hábitos dos pesquisados, com idade média de 42 anos, principalmente em relação a exercícios físicos, tabagismo, alimentação, tipo de trabalho, férias, relacionamentos e dados pessoais como peso, idade e histórico familiar. As questões permitiram levantar um perfil de cada participante, fornecendo-lhe uma informação de grande utilidade: o percentual de risco corria de se transformar em mais uma vítima da arteriosclerose.

O resultado médio para esse grupo de pessoas (68% eram do sexo masculino) indicou uma estimativa de risco de 35,44%. Um percentual que poderia ser reduzido para 4,54%, já que 18,18% eram riscos que poderiam ser removidos e 12,72% controlados.

Dois caminhos

Poucas pessoas, porém, se preocupam em controlar ou remover seus fatores de risco. Para a maioria dos afetados, a evolução da doença pode seguir duas tendências, explica Marisa. A mais freqüente conduz à estenose, que é a redução progressiva do diâmetro (calibre) da artéria, em decorrência da proliferação de células em sua parede. Como conseqüência há a diminuição do fluxo de sangue, que reduz a irrigação dos tecidos, causando uma deficiência chamada isquemia. A estenose provoca também a formação de placas com depósito de gordura e até a calcificação ou obstrução total da artéria.

A segunda tendência conduz ao enfraquecimento da parede, que pode levar à dilatação (aneurisma) ou ao alongamento (dolicoartéria) da artéria. Esse problema produz compressão das estruturas vizinhas e significa um elevado risco de rompimento, podendo causar morte súbita.

A arteriosclerose não tem causa conhecida, diz Marisa, mas sabe-se quais os fatores que interferem em seu aparecimento e evolução. São os chamados fatores de risco e tecnicamente podem ser classificados como irremovíveis, controláveis e removíveis.

Na primeira categoria estão os fatores inerentes ao indivíduo, como idade, antecedentes familiares, sexo e alterações de caráter pessoal já ocorridas.

Na segunda estão aqueles que, embora não possam ser inteiramente removidas, podem ser controladas, seja com medicamentos, seja com uma radical mudança de hábitos. Entre eles estão: hipertensão arterial, diabetes, estresse, excesso de colesterol e obesidade.

Na última categoria estão os fatores cuja remoção definitiva depende exclusivamente do indivíduo. É o caso do sedentarismo, maus costumes alimentares e tabagismo. Basta que a pessoa inicie um programa de exercícios físicos, cuide da própria alimentação e deixe de fumar. Mas as alterações sofridas pelo fumante, enquanto fumante, são irreversíveis, lembra Marisa.

Campanha

Marisa Amato, que é cardiologista, dedica-se a combater a arteriosclerose há vários anos. Quando foi Presidente da Academia de Medicina de São Paulo, elegeu como plano de ação, alertar a comunidade para os perigos que os hábitos inadequados representam. Uma das providências foi lançar, em parceria com o Prof. Salvador José de Toledo Arruda Amato, cirurgião vascular, o livro Mudança de Hábito, um texto simples que procura mostrar os males da vida moderna e a necessidade de identificar e controlar os fatores de risco. Hoje, em 2004, já está na 5 a. edição com o nome Estilo de Vida, lançado pela Editora Roca.

Outra medida foi realizar a pesquisa, cujo maior benefício constitui em revelar para os próprios pesquisados – cada um recebeu um diagnóstico – seus pontos vulneráveis e os riscos que correm.

A pesquisa de Marisa Amato trouxe alguns dados interessantes. Entre os homens, por exemplo, o maior risco está entre os maiores de 31 anos. Para as mulheres, a idade mais crítica aparece após os 51 anos. A maioria absoluta está consciente de que os próprios hábitos alimentares não são adequados:

49,16% consideram-nos ruins e 50,73% os tacham de sofríveis. Para a atividade física o resultado foi semelhante: 61,77% consideram na insuficiente, 25,68% regular e apenas 12,55% satisfatória.

Esses números mostram que as pessoas, bem ou mal, estão conscientes de sua realidade. Falta-lhes talvez um alerta, como este que Marisa Amato está divulgando. Afinal, se existem fatores irremovíveis, eles não são a maioria. É preciso, diz ela, concentrar esforços naquilo que pode ser controlado e até eliminado.

No que respeita à pressão alta, por exemplo, como é conhecida popularmente a hipertensão arterial, Marisa recomenda que sejam realizadas avaliações freqüentes, pois há pessoas que sofrem desse problema e nem sequer sabem disso. A diabetes, que é a perda da capacidade do organismo de produzir insulina, é outro fator controlável, assim como o excesso de colesterol, a substância química gordurosa que é produzida no fígado e ingerida em alimentos de origem animal. Já a obesidade é um fator mais visível. Seu mal maior é a alteração que acarreta sobre o metabolismo e órgãos, principalmente o coração. Parceira do sedentarismo, a obesidade exige duplo controle, baseado em dieta e atividade física.

Outro fator controlável é o estresse, caracterizado pelo estado de tensão do organismo, decorrente de causas diversas, que podem ser emocionais, psicológicas e mesmo físicas. Neste último caso, a tensão é o resultado da secreção de hormônios, ativados para manter o corpo em estado de alerta. Um alerta que custa caro: o coração bate mais rápido, a pressão sobe, as artérias se dilatam. Tudo isso para que a circulação cresça nos músculos periféricos, em prejuízo do cérebro, coração e rins. Esse estado, se mantido por período longo de tempo, torna-se prejudicial, provocando insônia, fadiga, irritabilidade, perda da memória, entre outros problemas.

Mãos à obra

Os maiores esforços, porém devem se concentrar nos fatores removíveis, a começar pelo cigarro.

“Atualmente morrem por ano 3 milhões de fumantes no mundo”, diz Marisa Amato. No Brasil são cerca de 100 mil, 15 mil somente no estado de São Paulo, números eloqüentes.

Não há dúvida de que o fumo diminui o tempo de vida, lembra a cardiologista. As estatísticas provam que a mortalidade entre os fumantes em geral chega a ser duas vezes maior do que entre os não fumantes. E em todos esses casos há uma grande incidência de morte súbita.

Mas não basta abandonar o cigarro, é preciso também praticar exercícios. A atividade física é responsável pela ativação da circulação sangüínea, propiciando uma freqüência cardíaca mais adequada a cada momento do dia – mais alta durante o trabalho e mais baixa durante o repouso. È o condicionamento físico, que deve ser mantido com a prática de uma atividade física com regularidade e intensidade adequadas. Quanto aos hábitos alimentares, o pior inimigo é o colesterol, presente nos pratos mais comuns. A recomendação é equilibrar a alimentação, mantendo padrões saudáveis.

O estilo de vida atual, não resta dúvida, é o maior responsável pelos riscos cardiovasculares que a população enfrenta. Mas o perigo se reduz substancialmente quando esses riscos são detectados e, principalmente, combatidos. Cuidar de si mesmo, diz Marisa, é a melhor receita para ter uma vida sadia.

Amato, MCM – O Assassino Silencioso. Rev Problemas Brasileiros, nov/dez de 1997, p.32-33.

Prof. Dr. Salvador José de Toledo Arruda Amato
Angiologia e Cirurgia Vascular
CRM 28082
Profa. Dra. Marisa Mapos Moraes Amato
Cardiologista
CRM 30400

Aterosclerose

Aterosclerose é a doença inflamatória crónica na qual ocorre a formação de ateromas dentro dos vasos sanguíneos.

Os ateromas são placas, compostas especialmente por lipídos e tecido fibroso, que se formam na parede dos vasos. Levam progressivamente à diminuição do diâmetro do vaso, podendo chegar a obstrução total do mesmo. A aterosclerose em geral é fatal quando afecta as artérias do coração ou do cérebro, órgãos que resistem apenas poucos minutos sem oxigénio.

Etiopatogenia (processo de surgimento da doença)

A formação do ateroma é complexa. Lipoproteínas de baixa densidade (LDL) penetram na parede do vaso, atravessando o endotélio, chegando à camada íntima da parede. Neste local são fagocitados. A aterosclerose agride essencialmente a camada íntima da artéria.

A lesão (AE) típica das formas avançadas da doença é a placa fibrosa- formação esbranquiçada que protunde na luz do vaso.

Ela é coberta por uma capa fibrosa que consiste em várias camadas de células achatadas embebidas numa matriz extracelular de tecido conjuntivo denso, ao lado de lamínulas de material amorfo, proteoglicanos, fibras colágenas e células musculares lisas.
No interior da placa, abaixo da capa fibrosa, há um acúmulo das células espumosas, íntegras ou rotas, e de tecido conjuntivo.
As células espumosas são derivadas dos macrófagos (macrócitos e linfócitos sanguíneos, e células musculares lisas da parede arterial) que contêm gotículas de gordura, principalmente sob a forma de colesterol livre e esterificado. Este colesterol é derivado do sangue e não produzido no local.
No centro da placa fibrosa há uma área de tecido necrótico, debris, cristais de colesterol extracelular, e de cálcio.

Com evolução do processo ateromatoso ocorrem diversos eventos:

1) vindos da adventícia nascem vasos que fazem intensa vascularização da média e da íntima;
2) aumenta a deposição de cálcio e de células necróticas;
3) surgem ruturas, fissuras e hemorragias da placa;
4) a placa pode ulcerar e/ou se desprender;
5) a exposição da subíntima ulcerada gera a deposição de plaquetas, coagulação sanguínea, trombose e eventual oclusão do vaso, etc.

Epidemiologia

Nas sociedades ocidentais é uma doença quase universal, ocorrendo em todos os indivíduos a partir de certa faixa etária, alguns mais cedo, alguns mais tarde. Acredita-se que cerca de um terço das mortes ocorrem por doença cardiovascular, em especial por Infarto do miocárdio e Derrame cerebral. A aterosclerose está envolvida em quase todos estes casos. Mesmo universal, a doença pode ter sua velocidade acelerada ou diminuida, conforme a interação entre os vários fatores de risco cardiovascular e a predisposição genética da pessoa.

  • Arteriosclerose é o processo de endurecimento das artérias, entre outras possibilidades por aterosclerose, mas as palavras não são sinônimos.

Arteriosclerose

Arteriosclerose é a situação médica na qual existe o endurecimento e espessamento da parede das artérias. Pela diminuição da elasticidade arterial, costuma provocar aumento da pressão arterial sistólica e diminuição da pressão arterial diastólica. É quase universal na velhice e predominantemente no sexo masculino, já que as mulheres desviam suas gorduras sangüíneas para a produção de estrogênio.

Não é sinônimo de aterosclerose, embora esta seja uma das maneiras pela qual endurece a parede arterial.

Causas da Arteriosclerose